Checklist diário no supermercado não é burocracia: é o jeito mais simples de garantir execução, reduzir erro e fazer a loja parar de “pagar no caixa” por ineficiência. A rotina bem feita é o que sustenta resultado, mesmo quando a operação está corrida.
A maioria dos problemas que drenam dinheiro todo dia são invisíveis: falha de processo, falta de conferência, liderança que não acompanha até o final e decisões no improviso. O antídoto é ter padrão, executar e verificar.
Sem o básico bem feito, o crescimento vira conta no final
Dá até para crescer sem excelência no básico, mas o preço aparece em dinheiro. Quando a rotina falha, a operação começa a exigir mais gente do que precisa para funcionar, as perdas aumentam e a venda escapa por detalhes que ninguém percebe no dia.
- Mais perdas (avaria, produto estragado, vencimento).
- Mais gente do que o necessário para “apagar incêndio” e compensar falta de processo.
- Mais erro operacional (precificação errada, loja desorganizada antes do pico, falhas de exposição do encarte).
O que mais faz mercadoria vencer: erro no recebimento (regra dos 2/3)
Um dos pontos mais críticos do básico é o recebimento. O que mais faz mercadoria vencer dentro da loja é receber produto com pouco tempo de vida útil.
A regra prática é: não receber mercadoria com menos de 2/3 do shelf life (tempo de vida útil). Shelf life é o tempo entre fabricação e validade.
- Exemplo presente na rotina: se o produto tem 12 meses de shelf life, 2/3 disso dá 8 meses.
- Então, nesse caso, não deveria entrar na loja produto com menos de 8 meses para vencer.
Exceção: se existir uma negociação clara com o fornecedor para comprar produto com validade curta (compra direcionada), aí vira regra do jogo. Fora isso, aceitar prazo curto no recebimento é plantar vencimento no estoque.
Produtividade: a ineficiência aparece quando tem gente demais
Quando sobra pouco no fim do mês, muitas vezes a conta está na produtividade baixa e na ineficiência da rotina. Uma métrica direta citada para 2025 é olhar faturamento por funcionário: total do faturamento dividido pela quantidade de colaboradores.
- Para 2025, a referência é acima de 35.000 por funcionário.
- Se trabalha dentro da loja, entra na conta.
- Se a esposa trabalha na loja, entra na conta também.
Quando o número fica abaixo, a leitura prática é: provavelmente existe gente demais para rodar a operação, e isso é “pagar no caixa”. Mesmo quando o global está bom, vale olhar por setor para identificar onde dá para melhorar.
Execução no dia a dia: o caminho é padrão + verificação com checklist
Muita gente diz que tem dificuldade de execução. A solução operacional é direta: criar checklists e fazer liderança seguir e acompanhar o processo até o final. Checklist não é só para lembrar tarefa; ele obriga a olhar os pontos que garantem uma operação redonda.
O princípio é simples:
- Pegar o padrão (o processo).
- Executar o processo.
- Verificar o processo constantemente.
Onde checklist entra na prática (e o que não pode faltar)
Checklist serve para tudo que precisa acontecer do mesmo jeito, todo dia, sem depender de memória. Alguns exemplos diretos para colocar na rotina:
- Abertura de loja e fechamento de loja.
- Rotina do gerente.
- Checagem antes do pico da manhã e antes do pico da tarde.
- Checklist do encarregado de frente de loja, açougue, padaria.
- Prevenção.
- Checklist para processos de RH (contratação e demissão).
Verificação que dá dinheiro: duas rondas do gerente antes dos picos
Execução melhora quando alguém verifica sempre. Um padrão prático é o gerente rodar duas vezes por dia: antes do pico da manhã e antes do pico da tarde.
- Olhar se está tudo precificado para reduzir erro de preço.
- Pegar o encarte e checar se tudo que está no encarte tem destaque de preço na gôndula.
- Ver se a frente de loja está pronta: caixas limpos e organizados para receber cliente.
Quando está ruim, é simples: viu, corrige, e registra na rotina para não repetir amanhã.
O ponto que quase ninguém confere: câmera frigorífica
Um erro comum é gerente nunca entrar na câmera frigorífica. E aí aparece de tudo: latinha jogada, iogurte aberto, queijo aberto, refrigerante aberto, cerveja aberta. Isso não “brota” sozinho. Alguém consumiu e escondeu, ou a equipe está largando produto aberto onde não deveria.
Se não existe um item explícito no checklist dizendo “entrar na câmera para verificar limpeza e organização”, isso passa batido no atropelo do dia a dia.
Papel ou ferramenta: o que importa é ter amarração e consistência
Dá para fazer checklist no papel, mas a segurança tende a ser menor. O ponto aqui é evitar “prova frouxa” e execução de fachada. Foto solta por mensagem, por exemplo, pode virar ângulo repetido da mesma arrumação. O ideal é que exista algum mecanismo que dificulte fazer fora do horário e fora do local e que obrigue evidência do que foi checado.
O básico de RH que vira prejuízo: checklist na contratação e na demissão
Checklist também evita erro que custa caro no desligamento. Se faltar assinatura e documento, depois vira dor de cabeça. Um ponto específico citado: folha de ponto precisa estar assinada. Mesmo com software, a prática é imprimir o relatório do mês e coletar a assinatura do funcionário, mantendo isso organizado.
Na contratação, o checklist ajuda a não esquecer itens que precisam ser entregues e assinados (documentos, regulamento interno, uniforme e o que fizer parte do processo).
Para executar hoje: roteiro prático (passo a passo em lista)
- Definir 3 checklists essenciais para começar: abertura, fechamento e ronda do gerente antes dos picos.
- Incluir no recebimento a regra de não aceitar mercadoria com menos de 2/3 do shelf life, salvo negociação específica.
- Rodar duas verificações diárias do gerente (pré-pico manhã e pré-pico tarde) com foco em precificação, encarte e frente de loja.
- Colocar “entrada na câmera frigorífica” como item obrigatório na rotina diária.
- Conferir produtividade: faturamento total ÷ número de colaboradores (incluindo dono e esposa se trabalham na loja) e verificar se está acima de 35.000 por funcionário em 2025.
- Organizar RH com checklist: contratação e demissão, com atenção para folha de ponto assinada.
Quando o checklist vira rotina, a operação para de depender de memória, reduz erro e começa a entregar o básico bem feito todos os dias. É isso que sustenta resultado.